Fora Temer

Fora Temer
Fora Temer
Mostrando postagens com marcador Cidadania. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cidadania. Mostrar todas as postagens

sábado, 4 de abril de 2015

Redução da Idade Penal: simplificação tipo água na bunda.


A humanidade funciona com base na “água na bunda”. Quanto mais próximo de molhar-se, vêm as ações contrárias a essa umidificação anal.

No solo tupiniquim, vem aí mais uma “água na bunda” reforçando nossos Auschwitz´s: a maioridade penal. O PSDB trouxe a tona uma vontade coletiva, aprovadissima pelos brasileiro, visando agravar ainda mais o fosso social: a UNICEF diz que, por dia, são assassinados 16 adolescentes.

E eles é que são os criminosos!

Mesmo sabendo que num nível psíquico, social e cultural, os adolescentes de hoje não são os de ontem, que os limites do que é ser “sujeito adolescente” trabalhem incessantemente como placas tectônicas, essa não pode ser uma discussão deixada tão somente aos 300-400 achacadores da República instalados no Congresso Nacional. É preciso a sociedade discutir e entender as suas implicações 

Neste caso, vale a pena ler este artigo sobre a história da idade penal no Brasil, feita por FERRAZ

Motivações e listagem de questões visando a manutenção atual da idade apta a cadeia, com dados, estudos e estatísticas, não faltam. Pode-se ver aqui ou aqui alguns desses. Grandes defesas contra a redução da maioridade penal foram escritas, como esta da Eliane Brum 

Rolou um “Profissão Repórter”, do Caco Barcellos sobre o tema; Assista!! 

Já fui assaltado duas vezes em minha vida de 36 anos: nelas, não pedi a identidade, mas, suponho, tinham entre 16, 17 ou 18 anos. Sei lá. Poderiam ser “di maior”. O que se sabe é que o tema é um lamaçal humanitário, mas embasado em medo e preconceito, do que em razões racionalizadas. Teve deputado tucano que comparou o Estatuto da Criança e do Adolescente como justificativa para a existência de adolescentes radicais do estilo ISIS – sim, a vanguarda radical famosa por cortar cabeças. Para a sociedade brasileira, com antas não se discute; se abraça. Tornou-se um mito

Num mundo onde se dá muito IBOPE aos Datenas da vida, programas que cheiramazedo, tudo o que esses pequenos monstrinhos fazem é cometer crimes hediondos. Porém, estatísticas apontam que a ampla maioria dos crimes cometidos por esses adolescentes eram patrimoniais, ou seja, foi como eu: perdi a minha mochila de 10 reais, o pão que estava nela, a sombrinha e um casaco. Cada IPHONE roubado é uma lenha nessa fogueira da inquisição.

No mundo os países adotam penas para menores de idade a partir de distintas configurações. Aqui tem uma tabela comparativa muito boa para entender esse campo num olhar mais abrangente. 

O Uruguai (ah, o Uruguai) rejeitou em plebiscito uma proposta que reduzia de 18 para 16 anos a idade penal. 

Nos EUA, ocorre um movimento de ampliação da idade penal. EUA e Inglaterra, países com 10 anos de idade penal mínima, agora, tem sua sociedade civil rediscutindo, pela inocuidade da ação. 

Não tenho dúvidas que o Congresso Conservador, da Bala, Evangélico, Midiático e militarista irão vencer esta batalha. Caberá às futuras gerações reverter mais este quilometro na estrada da barbárie brasileira, que já mata crianças e encarcera em prisões (caso do Eduardo) Vem ai, um oceano em nossa bunda. Mais o tsunami vai passar. Pena que com centenas de milhares de vítimas pelo caminho. 

Se dependesse desses conservadores, lobistas da bala, dos evangélicos e dos que flertam com militares, bem como os deputados espetáculo estilo Datena de programas violentos, sem crivo de setores minoritários da sociedade, seria como nos EUA, onde – dependendo do estado – a idade mínima prisional é de 10 anos. A Inglaterra também cabe (um caso inglês - estigma!) Melhor! Poderíamos ainda reforçar nossos preconceitos, imitando o Irã, onde as meninas podem ser presas a partir dos 09 anos e os meninos, dos 15 anos.


 Minha opinião é de que o ECA – estatuto da criança e do adolescente – já possui mecanismos que levam em consideração o adolescente infrator, até mesmo com encarceramento. Porém, as publicas públicas não existem: o que acontece é o encarceramento, isto é, tirar o problema da paisagem. O estatuto pode ser aperfeiçoado. As políticas públicas, por sua vez, precisam do mesmo empenho e aprovação que existe em torno da redução maioridade penal.

 Mas é isso gente: é a elite e todos os seus capatazes (sempre me lembro do Senhor Smithers, capataz do Sr. Burns dos Simpsons) dando escola para essa futura juventude, estimulando o associativismo civil: a escola e a associação dos PCCs, dos Comandos e Bondes. 


Água na Bunda.

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Valeu, Mujica

“Querido pueblo, gracias. ¡Gracias por tus abrazos, críticas, cariño y, sobre todo, por tu hondo compañerismo cada una de las veces que me sentí solo en el medio de la Presidencia! No dudes que si tuviera dos vidas las gastaría enteras para ayudar a tus luchas, porque es la forma más grandiosa de querer la vida que he podido encontrar a lo largo de mis casi 80 años. No me voy, estoy llegando, me iré con el último aliento, y donde esté estaré por ti, contigo, porque es la forma superior de estar con la vida”(MUJICA).

Pepe Mujica já não é mais presidente do Uruguai.
...

SE governos medrosos como o brasileiro, que estão com seus limites arregaçados explodindo em contradições, como o caso do Partido dos Trabalhadores do Brasil, o pequeno Uruguai foi, em termos de política, um alento.

Enquanto governos como o brasileiro, o venezuelano e o argentino “dobram-se para esticar-se”, experiências na Bolívia, no Equador e no Uruguai tem se mostrado criativas e oxigenadas.

No caso específico do Uruguai, cito quatro leis que representam uma herança civilizacional de responsabilidade deixada por Pepe Mujica.
- Legalização do Aborto;
- Casamento Igualitário;
- Legalização da Maconha;
- Lei dos Médios;

Mas, não foi alimentando sonhos de hippies e maconheiros apenas... Dentro de seus anos como presidente, políticas educacionais e de habitação ganharam especial destaque. Pesquisando, encontram-se importantes políticas para afrodescendentes, também.

Foi responsável, já no primeiro ano, por uma impactante “modernização” do Estado uruguaio, a partir do Estatuto dos Servidores Públicos a pela aprovação da Lei de Parcerias Público Privadas.

Além disso, abriu território uruguaio para diversos refugiados, como os sírios, e recebeu prisioneiros de Guantámano, um dos pântanos morais estadunidenses. Foi um presidente com grandes esforços na integração latino americana, através do MERCOSUL e UNASUL.


Não foi um presidente que deixou de ser contraditório: nem todas suas promessas foram cumpridas, os serviços públicos especialmente na educação e saúde carecem de mais políticas, mas, ainda assim, possui um crucial papel simbólico num momento de desencanto com a política. Um exemplo: a anulação da Anistia Militar. Não deu.


A América Latina, entre direita e esquerda, volve sempre a experiências que priorizam um tipo de cidadania muito regulada pelo Estado, porém, sem grandes liberdades civis e políticas. O Estado não pode ser apenas “mãe”. Sempre bato nessa tecla já batida na academia: pelo conceito clássico de Cidadania (Marshall), o Brasil teria um longo percurso a seguir, com avanços políticos e de direitos civis.

Viva Mujica, humanista uruguaio. Bons momentos com Dona Lucía Topolanski, sua inseparável companheira de luta!

Para saber mais: